Do Seed ao Series C: as rodadas de investimentos para alavancar uma empresa

Ter clareza de onde se pretende chegar é o primeiro passo para o empreendedor iniciar sua jornada, mas, além disso, estar organizado sobre qual serão as etapas em busca desse objetivo maior passa a ser um grande diferencial, especialmente na hora de captar investidores para o negócio.

Para o co-fundador do iFood, Patrick Sigrist, saber onde quer chegar e como chegar é um dos pontos centrais para a evolução da empresa. Para ele, ao negociar com investidores é preciso explicar as etapas da evolução do produto, deixando explícito como e em que fase o investimento será usado para que todas as expectativas referentes ao negócio sejam atendidas nos momentos corretos.

Ter planejamento e dados que mostrem que a “conta fecha” é uma forma de transmitir ao investidor que o investimento dele no negócio proporcionará uma evolução progressiva e sustentável, tornando-se rentável.

Como se preparar para captar um round de investimentos é um dos tópicos do livro Venture Deals, de Brad Feld e Jason Mendelson, e que traz uma abordagem bem explicativa sobre como os fundos de venture capital funcionam. Venture Capital (VC) é o nome usado para descrever todas as classes de investidores de risco. Em geral, os fundos de venture capital investem em empresas de médio porte, que já tem um faturamento expressivo, mas que ainda precisam dar um salto de crescimento.

Com a leitura de Venture Deals, o empreendedor aprende um pouco mais sobre como levantar investimentos, como se esquivar de problemas legais, quem está envolvido no processo e como lidar com investidores.

As rodadas de investimento geralmente acompanham a evolução do negócio, levando-se em consideração o estágio da empresa e o montante de recursos necessário para aquele novo momento. Internacionalmente, estas rodadas são chamadas de Series.

Series Seed ou Investimento Semente:

Acontece nos estágios iniciais das empresas ou startups para definição das bases do negócio, formalização da atividade, início da produção e contratação de colaboradores. O aporte de capital varia, chegando até US$ 2 milhões. Nesses casos, quem investe são investidores anjo e fundos de venture capital.

Series A:

Nesta fase, a empresa já definiu o modelo de negócios. Mercado e consumidores também já são conhecidos e o produto/serviço já está consolidado. A Series A visa impulsionar a escala de produção, otimizar a distribuição, expandir para outros mercados e também refinar o modelo de negócios. Os valores envolvidos em uma Series A podem ir de US$ 2 milhões até US$ 20 milhões. Fundos de venture capital normalmente são os investidores de Series A.

– Series B:

Com a empresa consolidada, a captação de recursos na Series B se propõe a contribuir para escalar o negócio. Aprimoramento de processos, novas contratações, ampliação da empresa com novos departamentos, buscar novos mercados, ou até mesmo adquirir outras empresas para agregar valor ao negócio são os principais propósitos de uma Series B. Os valores podem chegar às dezenas de milhões. Os investidores de Series B normalmente são os mesmos das Series A.

Series C:

Uma rodada de Series C busca acelerar a empresa em todos os aspectos. Lançar-se no mercado internacional e adquirir novas companhias são propósitos desta fase do negócio. Os montantes de uma Serie C podem chegar a centenas de milhões de dólares. Os investidores continuam sendo os fundos de venture capital, braços de investimento de bancos ou grandes empresas de fundos, além de empresas de Private Equity, que é uma modalidade de investimento voltada a empresas de médio porte, com alto potencial de crescimento, mas já com bom faturamento e mercado consolidado. Geralmente, esse investimento antecede a entrada dessas empresas na bolsa.

Pensando no exemplo do iFood, a empresa delivery contou no início da sua jornada com dois investimentos: o primeiro da Warehouse e um segundo da Movile. Em Venture Deals, os autores Feld e Mendelson apresentam alguns fatores que influenciam na decisão dos fundos de VC em investir ou não em um negócio. Alguns VCs só investem em empreendedores já conhecidos ou com experiências anteriores ou preferem ser apresentados por outros VCs aos empreendedores, enquanto que muitos não se limitam por esses aspectos e estão abertos a empreendedores iniciantes. A sugestão dos autores é que o empreendedor descubra o perfil de cada investidor. Em contraponto, o empreendedor também deve ir atrás de informações sobre o VC, entender o modo como trabalha, conversar com outras empresas já investidas e, assim, ir estreitando o relacionamento.



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