Como o maior negócio de entregas de comida do Brasil conquistou investidores


2. Como funcionam as rodadas de investimento em uma empresa

Ter clareza de onde se pretende chegar é o primeiro passo para o empreendedor iniciar sua jornada, mas, além disso, estar organizado sobre qual serão as etapas em busca desse objetivo maior passa a ser um super diferencial, especialmente na hora de captar investidores para o negócio.

Esse é um dos pontos centrais do estudo de caso com o co-fundador do iFood, Patrick Sigrist. Para ele, ao negociar com investidores é preciso explicar as etapas da evolução do produto, deixando explícito como e em que fase o investimento será usado para que todas as expectativas referentes ao negócio sejam atendidas nos momentos corretos.

Sigrist também destaca a necessidade de apresentar ao investidor um plano realista a partir de um modelo de negócio que permita um resultado financeiro positivo.

Por exemplo, ter conhecimento de quanto custa captar um cliente e qual o retorno que esse cliente traz para a empresa são pontos básicos em qualquer negociação que se pretenda iniciar com um investidor.

Ter planejamento e dados que mostrem que a “conta fecha” é uma forma de transmitir ao investidor que o investimento dele no seu negócio proporcionará uma evolução progressiva e sustentável, tornando-se rentável.

Como se preparar para captar um round de investimentos é um dos tópicos do livro Venture Deals, de Brad Feld e Jason Mendelson, e que traz uma abordagem bem explicativa sobre como os fundos de venture capital funcionam. Venture Capital (VC) é o nome usado para descrever todas as classes de investidores de risco. Em geral, os fundos de venture capital investem em empresas de médio porte, que já tem um faturamento expressivo, mas que ainda precisam dar um salto de crescimento.

Com a leitura de Venture Deals, o empreendedor aprende um pouco mais sobre como levantar investimentos, como se esquivar de problemas legais, quem está envolvido no negócio e como lidar com investidores.

No livro, os autores destacam que em primeiro lugar, ao começar a negociar com venture capital, é prudente saber o quanto de dinheiro quer levantar, qual o período de tempo e ter clareza sobre até onde o investimento em questão levará a empresa.

Nem sempre um VC está interessado em investir todo o valor que é necessário, por isso, é recomendado estar em contato com vários investidores. Outra dica relevante dos autores é que ao negociar com um VC seja específico quanto ao valor que deseja captar, por exemplo, diga que deseja R$ 5 milhões ao invés de dizer entre R$ 5 mi e R$ 8 mi. Ter consciência desse valor também vai direcionar com quem a conversa deve ser feita para que tenha mais chances de sucesso.

As rodadas de investimento geralmente acompanham a evolução do negócio, levando-se em consideração o estágio da empresa e o montante de recursos necessário para aquele novo momento. Quando estas rodadas são alocadas mediante investidores profissionais, são chamadas internacionalmente de Series.

Series Seed ou Investimento Semente:

Acontece nos estágios iniciais das empresas ou startups para definição das bases do negócio, formalização da atividade, início da produção e contratação de colaboradores. O aporte de capital varia, chegando até US$ 2 milhões. Nesses casos, quem investe são investidores anjo e fundos de venture capital, dependendo de quão atrativo e consistente o negócio represente a estes fundos.

Series A:

Nesta fase, a empresa já definiu o modelo de negócios. Mercado e consumidores também já são conhecidos e o produto/serviço já está consolidado. A Series A visa impulsionar a escala de produção, otimizar a distribuição, expandir para outros mercados e também refinar o modelo de negócios. Os valores envolvidos em uma Serie A podem ir de US$ 2 milhões até US$ 20 milhões. Fundos de venture capital normalmente são os investidores de Series A.

– Series B:

Com a empresa consolidada, a captação de recursos na Series B se propõe a contribuir para escalar o negócio. Aprimoramento de processos, novas contratações, ampliação da empresa com novos departamentos, buscar novos mercados, ou até mesmo adquirir outras empresas para agregar valor ao negócio são os principais propósitos de uma Serie B. Os valores podem chegar às dezenas de milhões. Os investidores de Series B normalmente são os mesmos das Series A.

– Series C:

Uma rodada de Series C busca acelerar a empresa em todos os aspectos. Lançar-se no mercado internacional e adquirir novas companhias são propósitos desta fase do negócio. Os montantes de uma Serie C podem chegar a centenas de milhões de dólares. Os investidores continuam sendo os fundos de venture capital, braços de investimento de bancos ou grandes empresas de fundos, além de empresas de Private Equity, que é uma modalidade de investimento voltada a empresas de médio porte, com alto potencial de crescimento, mas já com bom faturamento e mercado consolidado. Geralmente, esse investimento antecede a entrada dessas empresas na bolsa.

Para complementar este estudo de caso, o professor Francisco Rolfsen Belda destaca algumas fontes de investimento que empreendedores, em diferentes estágios do negócio, podem recorrer para captar recursos e desenvolverem suas empresas, contudo, o professor ressalta que o empreendedor deve estar sempre ciente que ao receber recursos externos em seu negócio, ele acaba, consequentemente, diluindo o poder de decisão sobre a empresa e seus rumos, o que pode ser positivo quando se é possível “incorporar a experiência, o know-how, o networking, o conhecimento estratégico que é aportado pelos sócios investidores” ao desenvolvimento do negócio.

Uma última observação do professor ao empreendedor é atenção aos procedimentos contratuais quando o investimento se refere apenas ao aporte financeiro. “Você deve se precaver criando mecanismos contratuais que mantenham a capacidade de definir os rumos futuros do seu empreendimento”, finaliza Belda.